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| Abertura do Festival




O menino da calça branca

HOMENAGEM AOS 80 ANOS DE SÉRGIO RICARDO

 

 

 

 

Quando conheci pessoalmente Sérgio Ricardo, estava na escola de cinema e era aluna de seu irmão Dib Lutfi. Jamais poderia imaginar que duas pessoas com nomes tão diferentes pudessem ter algum grau de parentesco. Dib me levou à casa de Sérgio no Vidigal. Um estúdio de música aconchegante, decorado com pinturas do próprio Sérgio, instrumentos musicais e livros, e com uma janela imensa que descortina o oceano. Fiquei ali olhando o mar e
ouvindo Sérgio, a meu lado, contar casos e histórias, enquanto remexia a terra do pequeno canteiro na janela. Sérgio traz na voz uma espécie de mágica. Uma nobreza. É uma voz quente e bela, carregada de expressividade.
Sérgio Ricardo nasceu João Lutfi. Artista multitalentoso, compositor declaradamente apaixonado pelo samba, foi um dos precursores da Bossa Nova. Conviveu com João Gilberto e Tom Jobim. Trabalhou com Johnny Alf, Moacir Peixoto, João Donato, João Gilberto, Lúcio Alves, Tito Madi, Moacir
Santos. Tem admiradores confessos no amigo Chico Buarque e na amiga Maria Bethânia, ambos geminianos como ele, e também no poeta Carlos Drummond de Andrade, que confiou a Sérgio o único cordel que escreveu, Estória de João Joana, que Sergio musicou e em seguida orquestrou magistralmente.
Nos filmes que dirigiu, o irmão Dib assinou a fotografia. Foram quase todos premiados. Mas foi a música que compôs, a pedido de Glauber Rocha, sobre os versos do cantador de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", que tornou Sérgio particularmente conhecido.
Em meio a tanta riqueza, até nos lembramos do gesto revolucionário que o levou a quebrar seu violão e lançá-lo sobre a plateia no Festival da Canção da TV Record quando Sérgio tentava, inutilmente, defender sua genial canção "Beto Bom de Bola".
Sérgio é um cara assim, intenso. Um espírito pleno de beleza, como sua voz. Um artista que nos concede a felicidade de nos emocionar com sua vida, com sua obra.
No dia seguinte, Sérgio me enviou um e-mail. Contou-me de sua alegria com uma florzinha que finalmente havia brotado no canteiro da janela, depois de anos. "Um raio de sol entrou na minha casa", escreveu.
À florzinha ele deu o nome de Denise.
uando conheci pessoalmente Sérgio Ricardo, estava na escola de cinema e era aluna de seu irmão Dib Lutfi. Jamais poderia imaginar que duas pessoas com nomes tão diferentes pudessem ter algum grau de parentesco.
À florzinha ele deu o nome de Denise.
Cuando conocí personalmente a Sérgio Ricardo, estaba en la escuela de cine y era alumna de su hermano, Dib Lutfi. Jamás podría imaginar que dos personas con nombres tan diferentes pudiesen tener algún grado de parentesco. Dib me llevó a lacasa de Sérgio, en (el barrio de) Vidigal. Un estudio de música
acogedor, decorado con pinturas del propio Sérgio, instrumentos musicales y libros, y con una ventana inmensa que revelaba el océano.
Me quedé ahí, mirando el mar y oyendo a Sérgio, a mi lado, contar casos e historias, mientras revolvía la tierra del pequeño cantero en la ventana. Sérgio trae en la voz una especie de magia. Una nobleza. Es una voz caliente y bella, cargada de expresividad.
Sérgio Ricardo nació João Lutfi. Artista multi-talentoso, compositor declaradamente apasionado por el samba, fue uno de los precursores de la Bossa Nova. Convivió con João Gilberto y Tom Jobim. Trabajó con Johnny Alf, Moacir Peixoto, João Donato, João Gilberto, Lúcio Alves, Tito Madi, Moacir Santos. Tiene como admiradores a los amigos Chico Buarque y Maria Bethânia,
ambos de géminis como él, y también al poeta Carlos Drummond de Andrade, que le confió a Sérgio el único (poema de) cordel que escribió, Estória de João Joana, que Sérgio musicalizó y, en seguida, orquestó magistralmente.
En las películas que dirigió, el hermano Dib hizo la fotografía.
Fueron casi todas premiadas. Pero fue la música que compuso, a pedido de Glauber Rocha, sobre los versos del cantador de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", que tornó a Sérgio particularmente conocido.
En medio a tanta riqueza, hasta recordar el gesto revolucionario que lo llevó a quebrar su guitarra y lanzarlo sobre la platea en el Festival da Canção de la TV Record cuando Sérgio intentaba, inútilmente, defender su genial canción Beto Bom de Bola.
Sérgio es un tipo así, intenso. Un espíritu pleno de belleza, como su voz. Un artista que nos concede la felicidad de emocionarnos con su vida, con su obra.
Al día siguiente Sérgio me envió un e-mail. Me contó de su alegría con una florcita que finalmente había brotado en el cantero de la ventana, después de años. "Un rayo de sol entró en mi casa", escribió.
A la florcita le dio el nombre de Denise.